Acordei de novo com sol ultrapassando uma brecha na cortina, até tentei me esticar na cama e voltar a dormir, mas minha cachorra ocupava a metade de baixo do colchão, então continuei encolhidinha ali pra não incomodar. Isso é amor não é?

Na verdade não deveria ser. Estiquei as pernas e puxei ela um pouquinho para o lado, quando me viu acordada, veio pra mais perto, me pedir carinho. Isso sim é amor.

Abri um pouco mais a cortina pra encarar a cor do céu lá fora. Quase cinza, mas ainda azul. Não dá pra desistir de ver o lado bom. Já faz um mês ou um ano que eu estou aqui? Não consigo mais lembrar.

E apesar de odiar quem justifica seus atos com a posição dos astros quando nasceu, preciso concordar que uma característica capricorniana marca minha personalidade: eu gosto da estabilidade. De saber pra onde vou, com quem e fazer o quê. Eu gosto de planejar o que vou vestir no dia anterior, de saber a previsão do tempo ou o que vai ter para o almoço. Mas o que deveria ser estável só me traz dúvidas.

Nesse meio tempo aqui eu me privei de mim. Virei alguém que eu desconheço, com defeitos que não são meus e preocupações que não deveriam existir. Eu simplesmente não faço ideia do que esta acontecendo lá fora, e sei que só posso saber do que esta disponível aos meus olhos. Ai de mim querer saber o que aconteceu na quinta-feira a noite ou na sexta de manhã. Vou ter sorte se receber uma resposta vaga. Continuo de olhos fechados, não posso me meter onde não sou chamada. Mas até agora isso não funcionou.

O problema é que eu nunca sou chamada. Ou será que um dia vou ser? Já até desisti, mas também não funcionou.

Mas você já experimentou ficar sozinho? Você já tentou fazer isso? Já conseguiu se ver sem nenhuma outra influência, sem nenhum outro olhar te julgando? Já conseguiu se ver? Ficar sozinha tem dessas, te faz ter cada vez mais certeza sobre si. Nesse tempo todo, esse era você?

Conferi as mensagens no celular com a falta de habilidade da mão esquerda, já que a direita esta proibida de parar de fazer carinho nessa bola de pelos acumulada do meu lado. Nada importante, ou nada que eu queira. Onde foram parar aqueles outros dias?

Não queria voltar neles, só queria sentir aquilo de novo. Será que você sabe o que eu quero dizer? Já falei tanto, mas acho que nada disso fez sentido pra você. Ou você só não quis ver. Já até cansei de falar, e também acho que você não percebeu. Meu signo diz que eu sou pessimista por natureza, mas eu posso pular algumas características do zodíaco, não posso? Não sou tão boa com regras. Continuo nutrindo aquela migalha de esperança. Esperando o sol voltar por trás dessas nuvens.

Arrumei a cama logo que levantei dela. Ouvi dizer que assim o dia começa melhor, rende mais. Que hoje o dia me renda coisas melhores que ontem. Só posso torcer.

Ilustração: Henn Kim 
E esperar até o próximo dia

No início desse mês, minha irmã comentou que estava sentindo falta de uma cabeceira na cama dela, com a sensação de que o quarto estava "pelado". Uma cabeceira tem exatamente a função de "vestir" a cama, dar um apoio aos travesseiros e ainda criar uma atmosfera de maior aconchego no quarto.

Separei algumas ideias e inspirações, pra quem também sente falta de uma peça mais marcante na decoração, que dê vida e conforto pro comodo que precisa ser o mais acolhedor de todos.
Uma peça linda de madeira envernizada, com uma prateleirinha ainda servindo de criado-mudo. Perfeito pra quem não tem muito espaço no quarto
Pra quem não tem acesso a uma peça tão bonita assim, uma chapa de compensado de MDF ou MDP, funciona bem. Além de ser um material bem barato e vendido a metro. Só não esqueça de envernizar para facilitar a limpeza
Ainda na ideia de usar os materiais "in natura", uma cabeceira com chapas de metal rústico. Provavelmente parafusadas em peças de ripas de madeira fixadas na parede, funciona ainda como uma prateleira para quadros.
Pra quem é mais descolada e divertida, combinar ripas de madeira crua com desenhos geométricos é uma boa solução.
Uma porta antiga e bem linda é perfeita para cabeceira de uma cama de casal tamanho padrão!
Também dá pra usar janelas venezianas na função. Aqui elas aparecem coloridas e desalinhadas.
Uma moldura de madeira e barbantes coloridos. E ainda dá pra criar vários desenhos!
Aqui um tapete super lindo saiu do chão para a cabeceira! Dá pra adaptar com um varão de cortina e uma colcha especial, ou pedaços de tecidos se você quiser variar sempre.
De todas, essa é minha opção favorita! Parece um super trabalho de estofamento, mas é só encapar várias peças menores e montar como você quiser! Dá pra variar os tamanhos e montagem e criar desenhos incríveis! Se você tem apenas a cama encostada na parede, minha sugestão e deixar a cabeceira de ponta a ponta, ou até virar em forma de L para um dos lados.
Se não quiser usar várias placas, uma inteiriça também cumpre bem a função! Só não esqueça de usar uma espuma de espessura mais generosa.
Aqui um esquema do site casa.com.br que explica bem como fazer esses dois últimos modelos. Se você optar por uma placa de MDF inteira, que vá até o chão, dá pra dispensar o velcro e deixar ela apoiada mesmo. Nas duas opções é bom caprichar na espessura da espuma - que dá o ar de conforto - e procurar tecidos que não sujem muito.

Imagens via Pinterest
Saindo um pouco do lugar comum

Ahhh as tão esperadas férias! Hoje resolvi indicar 1 livro, 1 filme e 1 série que vi nessa última semana, pra quem assim como eu quer fazer tudo o que pode enquanto o tempo livre ainda existe!

O Hipnotista
O massacre de uma família nos arredores de Estocolmo abala a polícia sueca. Os homicídios chamam a atenção do detetive Joona Linna, que exige investigar os assassinatos. O criminoso ainda está foragido, e há somente uma testemunha: o filho de 15 anos, que sobreviveu ao ataque. Quem cometeu os crimes o queria morto: ele recebeu mais de cem facadas e está em estado de choque. Desesperado por informações, Linna só vê uma saída: hipnose.
Pra começar, o livro é um suspense policial, mas comecei a ler sem muitas pretensões, e sem saber muito bem o que esperar. Mas já de início me apaixonei pelos personagens e pela trama. Lars Kepler (pseudônimo do casal de escritores) desenvolveu o livro em captilos bem curtos e mil reviravoltas por segundo! O contra pra mim foi a narrativa do passado do hipnotista, detalhada e longa demais, mas como um todo o livro me agradou bastante! Já deixei o filme na minha lista do Netflix e comprei a continuação do livro, O Pesadelo (protagonizado pelo mesmo detetive, mas com uma nova trama), e venho depois contar o que achei dele por aqui!

Joy
Criativa desde a infância, Joy Mangano (Jennifer Lawrence) entrou na vida adulta conciliando a jornada de mãe solteira com a de inventora e tanto fez que tornou-se uma das empreendedoras de maior sucesso dos Estados Unidos.
O filme é de 2015, lembro que ouvi muitos comentários positivos perto do lançamento, mas só assisti essa semana. Joy redescobre o amor pelas invenções, e cria um esfregão prático e seguro, mas que mobiliza todos os seus esforços para conseguir produzir e vender as peças e tirar a família da falência. É um daqueles filmes perfeitos pra Sessão da Tarde, bem leve e descontraído. 


Marcella
Marcella Backland é uma detetive aposentada que é chamada de volta á linha de frente quando as características peculiares de uma série de assassinatos fazem parecer que um assassino que escapou de ser pego 11 anos antes voltou á ativa. A trilha de sites de relacionamento online, prostituição e negócios obscuros que ela encontra parece ser de responsabilidade da família Gibson, os magnatas do mercado imobiliário que empregam o marido afastado de Marcella, dificultando a reconciliação do casal.
Acho que não é novidade pra ninguém que eu sou super fã de séries policiais, achei que fosse um sinal divino coincidir a estréia de Marcella no Netflix com o início das minhas férias. Marcella estava passando por um complicado término de casamento, longe dos filhos, ela finalmente se vê disposta a voltar ao trabalho de detetive quando um antigo caso seu é reaberto. Já não bastasse todos os novos eventos, Marcella volta a sofrer com perdas de memória em momentos de estresse. A série britânica é cheia de reviravoltas e descobertas a cada episódio (são só 8 na primeira temporada), mas como eu devorei todos eles de uma vez, voltei a ficar órfã de boas séries desse estilo.

Alguma indicação?