E o diferente ficou igual

30 de mar de 2011


Hoje o post não é bem meu, li no Agora que sou Rica um texto que expressava mais até do que eu tinha reparado. Durante a temporada de moda por todos os blogs que eu passei - até os que não tratavam do assunto com freqüência - eu me deparei com vários posts sobre desfiles, backtage, entrevistas com os estilistas, etc, um assunto tão interessante como a moda acabou cansando. O que sempre foi privilégio de poucos ficou tão popular, com tanta ênfase, que desgastou. Deixo o post completo do Agora que sou Rica aqui em baixo, vale a pena ler.

"Quando eu comecei a fazer blog não era tão comum ter blog (o primeiro, antes desse aqui), mas quem tinha usava para expor suas ideias e poder falar o que pensava, sem ter que usar o veículo em que trabalhava. Eu trabalhava no Chic, um dos melhores sites de moda do Brasil, e ainda assim era afim de ter um espaço pra escrever mais, postar umas fotos, falar umas besteiras.

Naquela epoca ninguem ligava pra blog, assessorias nem percebiam que eles existiam e blogueira nao era credenciada no spfw, muito menos convidada pra lançamento pra ganhar uma sacolinha jabá.

Muita coisa mudou desde então e foi mto bom para todos, hj em dia blogueira eh profissão, entra no spfw, senta na primeira fila, recebe jabá em primeira mão, esta em todos os lugares e ganha muito dinheiro, mais do que os jornalistas de moda alias. Acho bem importante, principalmente porque a maioria batalhou muito por isso e ouviu muito não de assessora. A coisa era total feia antes do boom.

Ja tive altos e baixos com essa questão virtual, pq no meio de tudo, minha ex-diretora linda, Fernanda Guimarães, viu meus videos no youtube, que eu fazia de brincadeira pro AQSR e me chamou pra trabalhar na mtv, fazendo um quadro no Scrap que acabou sendo um teste pro It MTV. Então tive a sorte de poder fazer pautas e nao posts, todas as minhas ideias viravam matérias minhas e outras matérias do It, atingindo mais pessoas do que o blog atingia, pq a Tv eh uma forma mto legal de trabalhar.

Trabalhar em um veiculo assim me desanimou de ter blog, porque nao acreditava no futuro da profissao blogueira que crescia cada vez mais e porque no meio de tudo, as gringas lindas bombaram com seus blogs de looks do dia e ao inves disso ser usado para o bem, banalizou.

O bom de ter blog sempre foi se expressar e pessoas de determinado perfil se identificarem com vc, mas desde que a profissao blogueira virou um cabideiro para muitas pessoas, simplesmente uma forma de se pendurar toda de jabá todos os dias, não acreditei mais que ia rolar. Principalmente porque fica dificil ter credibilidade fazendo tanto jabá o tempo todo, aprendi isso trabalhando com modas, porque eu mesma, no começo, achava jabá o maximo. Aí entendi que tudo tem limite.

E não sou contra publipost, muito menos ganhar o seu dinheiro, mas acho que a partir do momento em que você só usa o seu espaço e suas visitas pra falar de você, é porque você não deve ter mto assunto. Mas não ter assunto é comum.

Como eu sempre dividi meu assunto entre o trabalho e meus amigos, parei de escrever, postar, considerar o tal do post do look, afinal, não eh relevante a calça jeans que eu estou usando hoje, grande coisa se vc se vestiu assim… Pq as pessoas precisam tanto se expor?

De repente o normal é contar pra todo mundo tudo sobre sua vida. Onde você está, com quem, com que esmalte, com que sapato, com que bom drink na mão. Será que não passou dos limites? Será que não tá na hora de guardar um pouco do que acontece com voce e deixar de dividir tudo assim? Não quero saber daqui a pouco o absorvente que você usa, falou?

Sempre achei engraçado reparar como as pessoas se vestiam todas iguais na Oscar Freire e ficar grata em não ser mais uma loira malibu de calça branca, mas parece que de repente o legal é ser igual a todo mundo, usar a mesma roupa, a mesma maquiagem, ir aos mesmos lugares e ainda dizer pra gente que devemos ser tambem. É como se o conceito de it girls tivesse destruido tudo o que nós aprendemos na adolescencia, depois de sofrer muito: que ser diferente e único é maravilhoso e que cada um é cada um (ou era, antes de todo mundo ser a olivia palermo fake).

Como leitora de toda a “blogosfera”, que foi o que eu virei faz tempo, fico cada vez mais chateada em perceber que quase nada é real e quase tudo é propaganda. Onde estão as ideias das pessoas? Aquela parte legal de pegar uma camera e fazer um post que vai realmente acrescentar algo na vida das pessoas. Que seja informação, que seja diversão, que seja uma foto bonita, um backstage que só você foi e algo que só você viu.

Será que só porque você tem muito dinheiro você é formadora de opinião? E será que a forma como você se veste e os lugares que vai são tão importantes a ponto de fazer de você uma porta voz do que é bom e legal o tempo todo?

De repente, recebo emails e twits de pessoas enfurecidas dizendo: “O seu blog é pessimo”. Fico pensativa, será que eu devo me enquadrar pra agradar?

Mas sinceramente, não faço a minima questão de ser blogueira se isso significa ser it girl e não quero mais que ninguém saiba que blush eu uso ou onde finjo que compro minhas roupas.

E é claro que sempre existirão pessoas que sabem passar pela onda bem e são inteligentes, com um olhar super especial sobre a moda e que vão aproveitar essa fase boa e “sobreviver” no mundo virtual, mas quando me perguntam porque eu não posto mais, só penso nessas razões que acabei de citar.

E o que mais me desanima é saber que escrever um texto sobre como eu me sinto em relação a maioria dos blogs, (sem dizer se isso é certo ou errado, apenas minha opinião), vai fazer pessoas menos espertinhas me encherem o saco dizendo que é tudo inveja porque não tenho patrocinador no meu look do dia.

Mas assim, como eu disse lá em cima, já fiz tudo isso, publipost, banner, jabá e já passei por todas as fases. Simplesmente cheguei num ponto onde acredito que o futuro é poder se expressar livremente e só falar do que quer.

Fico muito feliz em escrever um texto desse tamanho e tão franco e não ter que me preocupar com um banner que vai implicar com ele porque me pagou um dinheirinho. Alias, é libertador recusar banners e publiposts e ter um lugar só para mim, onde não preciso dar satisfação a ninguem.

O AQSR já passou por muitas coisas, no fundo é um ótimo arquivo de momentos da moda que eu vivi nos ultimos 2 anos. E fico feliz em ter voltado ao inicio, não depender mais da boa vontade de nenhuma assessoria pra me mandar sugestão, não postar nenhum jabá e não ser convidada para nenhum lançamento.

Vamos conversar mais sobre o que a gente pensa e menos sobre o que a gente veste, tá?"

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